Sim, o mercado global de veículos elétricos (BEV + PHEV) está a caminho de superar 22 milhões de unidades em 2026, consolidando um quarto de todas as vendas de carros novos no mundo. Após um crescimento explosivo de 2021 a 2024, a expansão perde fôlego, mas a trajetória permanece firme, impulsionada por China, Europa e pela queda no custo das baterias, segundo projeções da IEA e BloombergNEF.
Por que 2026 é o ano em que 1 a cada 4 carros novos será elétrico
Em 2025, o mundo vendeu mais de 20 milhões de elétricos, correspondendo a cerca de um quinto dos carros novos. Para 2026, as projeções indicam de 22,7 a 23,3 milhões de unidades — cerca de 25% do mercado global, segundo as mesmas projeções da IEA e BloombergNEF. O salto de 1% em 2016 para 25% em 2026 representa a transformação mais rápida da história automotiva. A desaceleração do crescimento (de +20% para +5% a +8%) é natural: a base ficou maior e os mercados maduros enfrentam desafios tarifários e de infraestrutura.
China: epicentro da oferta e da guerra de preços
A China responde por mais da metade das vendas globais de elétricos e deve chegar a cerca de metade de participação em seu mercado interno em 2026. A guerra de preços entre BYD, Geely, Chery e SAIC comprime margens e gera um excedente produtivo que é exportado para Europa, Sudeste Asiático e América Latina. Dentro do país, os híbridos plug-in (PHEV) e de autonomia estendida (EREV) representam mais de um terço dos elétricos vendidos, superando os BEVs puros.
O que isso significa para o Brasil
No Brasil, elétricos chineses como BYD Dolphin e JMEV Emova Easy chegam com preços competitivos, abaixo de R$ 150.000. A produção local da BYD em Camaçari (BA) começou em 2025, e a GWM em Iracemápolis (SP) tem previsão de início em 2026. A alíquota de importação sobe gradualmente para valores próximos a 35% até 2026, incentivando a nacionalização, mas mantendo a pressão por preços baixos no varejo.
Europa: aceleração regulatória e compactos acessíveis
A União Europeia mantém metas de CO2 de 95 g/km para 2025-2029, com multas de €95 por grama excedente por carro. Isso força as montadoras a lançar modelos elétricos abaixo de €30.000, como Citroën ë-C3, Renault 5 elétrico e Fiat Grande Panda. Em 2025, as vendas europeias cresceram significativamente, mas em 2026 a desaceleração para um crescimento moderado reflete a base maior e a incerteza das sobretaxas anti-dumping sobre elétricos chineses (até 35%), em vigor desde outubro de 2024 e com revisão prevista para 2026.
Estados Unidos: incerteza política freia a curva
Nos EUA, o fim dos créditos fiscais federais do IRA modificado reduziu a demanda em 2025, com vendas ficando em torno de 1,5 milhão de unidades. A participação elétrica estacionou em menos de 10%. Montadoras como Ford, GM e Stellantis priorizam híbridos e adiam lançamentos de BEVs. A Tesla mantém a liderança, mas perde market share para Hyundai/Kia e marcas chinesas via importações limitadas. A projeção para 2026 é de crescimento modesto, com participação ainda nos 10%.
Baterias: custo em queda e nova química dominante
O custo médio das células de bateria caiu 8% em 2025 e deve cair mais 7% em 2026, para cerca de US$ 105/kWh. O LFP (fosfato de lítio-ferro) já responde por mais de 50% das vendas globais de BEVs, graças ao menor custo e maior segurança. Tecnologias como LMFP (lítio-manganês-ferro) e baterias de sódio-íon para veículos urbanos começam a maturar. A produção de células é concentrada: China responde por 75%, Europa por 15% e América do Norte por 10%, segundo a Benchmark Mineral Intelligence.
Riscos que podem reduzir a inclinação da curva
Nenhum risco deve inverter a trajetória de crescimento, mas todos podem desacelerá-la. Os principais são: retirada de subsídios na Europa e EUA, guerra de preços insustentável na China que pode levar a falências de pequenos fabricantes, concentração de minerais críticos (lítio, níquel, cobalto) sujeitos a choques geopolíticos, infraestrutura de recarga aquém da demanda e sobretaxas protecionistas na Europa. As projeções de 2026 já embutem um crescimento menor (5-8%) que os anos de boom (30-50% ao ano entre 2021 e 2024).
Recorte para o consumidor brasileiro
Para o comprador brasileiro, 2026 deve trazer mais opções de elétricos abaixo de R$ 150.000, com destaque para BYD Dolphin, JMEV Emova Easy e Renault Kwid E-Tech. A produção local da BYD em Camaçari e da GWM em Iracemápolis deve reduzir custos e evitar sobretaxas de importação. A rede pública de recarga, com cerca de 8.000 pontos concentrados em SP, RJ, MG, RS, PR e DF, ainda é tímida, mas corredores como BR-101 e BR-116 começam a conectar capitais. O custo total de posse já é competitivo para quem roda mais de 20.000 km por ano, embora o valor de revenda ainda seja incerto, segundo a ABVE.



