O Programa Carro Sustentável, lançado no âmbito da política Mover, substituiu o IPI Verde e permite IPI zero para veículos que cumpram quatro critérios técnicos. Nos primeiros meses de 2026, as vendas de compactos subiram 16,7% e sua fatia de mercado cresceu (Fenabrave).
Carro Sustentável: como o IPI zero reaquece o segmento de entrada e transforma o mercado de compactos em 2026
O que é o Programa Carro Sustentável?
O Programa Carro Sustentável é a evolução do IPI Verde e foi lançado no âmbito da política industrial Mover (Mobilidade Verde e Inovação). Diferente de pacotes emergenciais anteriores, ele estabelece critérios técnicos permanentes para a redução do IPI, podendo chegar a alíquota zero. O benefício não é automático: o veículo precisa cumprir simultaneamente quatro critérios definidos pelo governo.
Os quatro critérios do benefício
1. Eficiência energética
O consumo é medido conforme a etiqueta do Inmetro/PBEV. A regra favorece motores 1.0, turbo e híbridos leves, que apresentam melhor desempenho energético. Modelos com etiqueta A (mais eficientes) têm vantagem no enquadramento.
2. Reciclabilidade
É exigido que pelo menos 85% do veículo seja reciclável ao fim da vida útil, conforme a Resolução CONAMA e a ABNT NBR 16156. Isso incentiva o uso de materiais sustentáveis na fabricação.
3. Pegada de carbono na produção
Mede as emissões de CO₂ na fabricação (escopos 1 e 2). Fábricas que utilizam energia renovável, como eólica ou solar, pontuam melhor nesse critério, segundo a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) do MDIC.
4. Preço acessível
O veículo deve ter valor máximo de R$ 120.000 (teto revisado anualmente pela inflação, conforme Portaria Interministerial publicada em outubro de 2025). Esse é o único critério que não depende do projeto do carro, mas do preço de venda ao consumidor.
Efeito imediato nas vendas de compactos
O programa gerou um impacto rápido. No primeiro semestre de 2026, as vendas do grupo de veículos contemplados cresceram 16,7% em relação ao mesmo período de 2025 (Fenabrave). A participação do segmento de entrada no mercado total subiu de 22% para 26%, revertendo uma queda histórica. O emplacamento total do Brasil registrou o melhor 1º semestre em 15 anos, segundo dados da Fenabrave (junho/2026).
Os modelos mais vendidos com o benefício foram:
- Fiat Mobi (versão 1.0 flex) – etiqueta A
- Volkswagen Polo (1.0 TSI)
- Chevrolet Onix (1.0 aspirado)
Fonte: Fenabrave (relatório mensal junho/2026) e Anfavea (balanço semestral).
Modelos contemplados e quem se beneficia
O perfil típico dos veículos que se enquadram são hatches e sedãs compactos nacionais com motorização 1.0 (aspirada ou turbo), câmbio manual ou automatizado e peso inferior a 1.100 kg. As marcas mais beneficiadas são Fiat, Volkswagen, Chevrolet, Hyundai e Renault. A lista oficial de versões com IPI zero está disponível no site do MDIC.
A partir de abril de 2026, o programa passou a incluir híbridos leves (MHEV) de entrada, como o Fiat Pulse Hybrid 1.0 e o Hyundai HB20 Hybrid (ambos confirmados para o 2º semestre de 2026, segundo comunicados das montadoras).
Impacto para o consumidor
O desconto no IPI representa uma redução média de R$ 8.000 a R$ 12.000 no preço final. Segundo estudo do Ipea (Nota Técnica 175/2026), 85% desse valor é repassado integralmente ao consumidor. Além disso, os modelos com etiqueta A de eficiência energética podem gerar economia de até 20% no consumo de combustível em comparação com versões que não se enquadram no programa.
Importante: o benefício integral (IPI zero) só vale para versões que cumprem todos os quatro critérios. Antes de comprar, confira a etiqueta PBEV no site do Inmetro e verifique se o modelo está na lista oficial do MDIC.
Críticas e limites do programa
O programa não está isento de controvérsias:
- Custo fiscal: a renúncia de receita estimada para 2026 é de R$ 3,5 bilhões, segundo relatório preliminar do Tribunal de Contas da União (TCU).
- Pass-through irregular: a média de repasse ao consumidor foi de 85% nos primeiros seis meses, mas houve casos em que montadoras absorveram parte do benefício. Enquanto a Chevrolet repassou integralmente, Fiat e Volkswagen mantiveram margens (Ipea).
- Estímulo ao transporte individual: cidades como São Paulo e Rio de Janeiro criticam o programa por incentivar o uso do carro, em conflito com políticas de mobilidade urbana.
- Teto de preço: o limite de R$ 120 mil exclui tecnologias mais caras, como híbridos plenos e elétricos, mesmo que sejam mais limpas (ITDP Brasil).
Perspectivas para o fim de 2026
As projeções da Anfavea e do Banco Central indicam manutenção dos critérios atuais até a revisão anual em dezembro. O teto de preço pode ser elevado para R$ 125 mil (inflação estimada em 5%). A tendência é de ampliação de versões híbridas leves no segmento (Fiat, VW, Hyundai). Contudo, se a economia desaquecer, o governo pode alterar as alíquotas, como ocorreu em 2014. Por enquanto, o programa representa uma oportunidade real para quem busca um carro novo econômico e com preço acessível. Antes de comprar, confira a etiqueta PBEV e veja se o modelo cumpre os quatro critérios.



