O Primeiro Carro a Ultrapassar 100 km/h Era Elétrico — e Isso Foi em 1899

Por Redação WebCARR, Publicado em , Tempo de leitura: 5 min
O Primeiro Carro a Ultrapassar 100 km/h Era Elétrico — e Isso Foi em 1899

Sim, o primeiro veículo terrestre a superar cem quilômetros por hora foi elétrico. Em abril de 1899, em Achères, a La Jamais Contente atingiu oficialmente 105,88 km/h com Camille Jenatzy ao volante. O marco comprova que a tração elétrica liderou o desenvolvimento automotivo…

Sim, o primeiro veículo terrestre a superar cem quilômetros por hora foi elétrico. Em abril de 1899, em Achères, a La Jamais Contente atingiu oficialmente 105,88 km/h com Camille Jenatzy ao volante. O marco comprova que a tração elétrica liderou o desenvolvimento automotivo antes da hegemonia da combustão interna.

O Primeiro Carro a Ultrapassar 100 km/h Era Elétrico — e Isso Foi em 1899

O evento contou com cronometragem oficial e validação técnica, mas para compreender seu significado, é preciso observar o contexto do final do século XIX. Entre 1898 e 1899, os seis primeiros recordes mundiais de velocidade foram estabelecidos por máquinas puramente elétricas.

Um Duelo Cronometrado em Pista de Terra Compactada

Em 18 de dezembro de 1898, o conde Gaston de Chasseloup-Laubat registrou 63,15 km/h na pista de terra batida de Achères. Quatro semanas depois, em 17 de janeiro de 1899, Camille Jenatzy atingiu 66,66 km/h. No mesmo dia, Chasseloup-Laubat respondeu elevando o registro para 70,31 km/h.

A disputa manteve intensidade constante. Em 27 de janeiro, Jenatzy subiu a marca para 80,35 km/h. Em 4 de março, Chasseloup-Laubat, auxiliado por uma carenagem frontal parcial, alcançou 92,78 km/h. Na data histórica de 29 de abril de 1899, Jenatzy pilotou a La Jamais Contente — um chassi longo e aerodinâmico que lembrava um obus — e superou a barreira dos cem quilômetros por hora, percorrendo o quilômetro lançado em novo recorde. A cobertura jornalística da época consolidou o evento como um verdadeiro duelo técnico, com medições cruzadas por múltiplos cronômetros.

Sob o Capô: Potência Instantânea e Baterias Pesadas

O veículo era um projeto pioneiro. Fabricado pelo estúdio francês Jeantaud et Cie, o chassi abrigava dois motores de corrente contínua Postel-Vinay. Juntos, produziam potência variável entre 40 e 68 cavalos, oferecendo torque instantâneo que dispensava embreagens ou caixas de marchas. Essa configuração direta era ideal para acelerações sustentadas em pistas retas.

Para suportar essa demanda, a equipe montou bancos de baterias Fulmen de chumbo-ácido, somando cerca de 380 elementos eletroquímicos. Esse conjunto correspondia a aproximadamente 60% do peso total da máquina, estimada em 1.500 kg. A disposição centralizada garantiu estabilidade, mas impôs desafios térmicos e de manuseio. Embora as baterias tivessem ciclo de vida curto e exigissem recargas demoradas, tais restrições eram aceitáveis para recordes de velocidade pura, onde o objetivo era maximizar potência e minimizar arrasto.

O acabamento externo diferenciava-se pelas linhas inovadoras. A carroceria utilizava painéis leves de ligas experimentais, enquanto as rodas recebiam capotas aerodinâmicas e os pneus Michelin lisos cortavam o vento com eficiência máxima. Essa geometria reduzia significativamente o atrito e a resistência ao avanço em terrenos irregulares, otimizando a transferência de força para a pista.

Segurança Radical e a Evolução até os Dias Atuais

Alcançar centenas de quilômetros por hora no final do século XIX dependia menos de engenharia avançada e mais de preparo físico e coragem. Ao volante, Jenatzy permanecia completamente exposto, enfrentando jato contínuo de ar, detritos da pista, ruído intenso e vibrações severas. Sua única proteção eram óculos rudimentares e luvas reforçadas, equipamentos básicos para a época.

Ausentes de cintos, airbags ou sistemas ABS, os veículos da era utilizavam frenagem mecânica primitiva e confiabilidade baseada na inspeção prévia. Os preparadores priorizavam a verificação minuciosa das junções elétricas, o alinhamento das rodas e a preparação do percurso para eliminação de irregularidades. A validade dos tempos era assegurada por juízes de pista que monitoravam cada detalhe das tentativas.

Essa evolução reflete a transformação radical nos padrões de segurança automotiva. Enquanto os pilotos de finais do século XIX confiavam inteiramente em mecânica básica e reflexos, os condutores modernos contam com controle eletrônico de estabilidade, estruturas deformáveis e assistência ativa. A conclusão para o uso diário permanece a mesma: manter a manutenção em dia, verificar a pressão dos pneus e respeitar os limites de trânsito garante longevidade e prevenção de incidentes independentemente do veículo.

Mitos que Precisam Ser Desfeitos

  • Carenagem totalmente fechada? Não. Apenas a frente e laterais recebiam coberturas; o piloto ficava exposto ao vento. O desenho aerodinâmico era baseado em tentativa e erro.
  • Homenagem familiar? Arquivos históricos vinculam o nome à ambição insaciável do piloto. Versões românticas surgiram como curiosidade posterior.
  • Combustão já vencera? Equívoco frequente. Os veículos a gasolina só superaram os elétricos em competitividade décadas depois, após consolidação tecnológica.
  • Liga patenteada? Termo comercial de divulgação. Metalgraficamente, tratava-se de chapas de alumínio e ferro forjadas, semelhantes às técnicas aeronáuticas emergentes.

Ecos do Passado na Mobilidade Atual

Até o início da década de 1900, os veículos elétricos dominavam frotas urbanas e competições, respondendo por parcela expressiva das vendas em metrópoles como Nova York e Paris. A mudança de paradigma aconteceu após melhorias nos carburadores, introdução do motor de partida elétrica em modelos convencionais, redução estrutural dos chassis e abundância de combustível fóssil.

As expectativas do mercado evoluíram, porém o princípio tecnológico permanece válido. Atualmente, equipes de alto desempenho recriam recordes utilizando tração 100% elétrica. Veículos como o Venturi VBB-3 comprovam que a eficiência aerodinâmica combinada com motores de alta resposta mantém relevância histórica. Reconhecer essa herança técnica auxilia na compreensão da engenharia moderna e na tomada de decisões mais conscientes sobre mobilidade sustentável.

Conteúdo informativo. A execução de qualquer procedimento é de responsabilidade exclusiva de quem o realiza; reparos sem qualificação técnica profissional envolvem risco de lesão, dano ao veículo e perda de garantia. Em sistemas de risco (freios, airbags, combustível, alta tensão), procure um profissional. Veja os Termos de uso.

Perguntas frequentes

Posso tentar fazer meu próprio carro elétrico para recordes em casa?

Não é viável reproduzir isso sozinho. Além dos riscos graves envolvendo altas tensões, baterias de chumbo-ácido pesadas e falta de equipamentos médicos e de segurança modernos. Hoje, entretanto, usar essas máquinas em pista homologada com monitoramento profissional garante diversão segura. Priorize sempre capacete certificado, luvas térmicas e apoio técnico especializado em qualquer projeto automotivo antigo.

Qual o custo estimado para adquirir uma réplica funcional dessa máquina?

Não há dados oficiais na base de conhecimento sobre valores comerciais atuais ou custos exatos de construção. No entanto, museus internacionais mantêm unidades preservadas sob condições ambientes rigorosas, enquanto oficinas especializadas costumam cobrar fortunas por restaurações minuciosas usando componentes históricos. Se desejar entrar no hobby de clássicos, comece estudando catálogos do Museu Nacional do Automóvel de Compiègne ou grupos locais antes de investir capital significativo.

Por que a transmissão automática não existia naquela época?

Na verdade, a La Jamais Contente nem precisava dela! Como os motores elétricos Postel-Vinay entregavam torque instantâneo desde a partida, bastavam aceleradores manuais sem embreagem ou câmbio multi-marcha. Essa arquitetura direta simplificava demais a condução. Hoje, muitos carros urbanos seguem a mesma lógica, poupando manutenção e oferecendo respostas previsíveis em trânsito denso. Vale conferir manuais antigos para entender essa evolução prática.

Era seguro viajar nessa velocidade sem cinto de segurança?

Claramente, não seria seguro segundo os padrões atuais. Os pilotos enfrentavam ventos acima de 100 km/h, impactos de detritos, ruídos superiores a 90 dB e vibrações constantes sem nenhuma contenção corporal. Apenas óculos rudimentares e luvas grossas protegiam minimamente. Para quem visita exposições históricas, observe como cada inovação posterior nasceu justamente desses choques brutais contra os limites tecnológicos da época. Respeite sempre equipamentos obrigatórios modernos.