A Ram Dakota retorna ao Brasil em 2026 como uma picape média construída sobre longarinas clássicas, unindo robustez tradicional a um motor 2.2 litros turbodiesel de 200 cv. Produzida em Córdoba, na Argentina, o modelo busca equilibrar capacidade de trabalho e conforto premium para disputar fatias importantes do mercado nacional.
Longarinas Sob Pressão: Como a Arquitetura Tradicional da Ram Dakota se Adaptará ao Mercado Brasileiro
O veículo utiliza arquitetura dedicada ao segmento médio global, mantendo chassi em longarinas separadas com travessão traseiro reforçado. Essa configuração não compartilha estrutura com plataformas de passeio, mas herda trilhas de validação térmica e corrosiva já aplicadas em comerciais leves da Stellantis na América Latina. A fabricação ocorre no Complexo Stellantis de Córdoba, garantindo isenção de imposto de importação via Acordo de Complementação Econômica nº 56 do Mercosul. Com isso, a logística se torna mais ágil e permite encaixe competitivo mesmo com margens ajustadas para penetração.
Motorização, Câmbio e Tração
O coração é o propulsor 2.2 L MultiJet II turbodiesel, que entrega potência na faixa de 200 cv e torque elevado, conforme especificações técnicas preliminares da fabricante. A transmissão automática de oito marchas — cuja calibração foca rendimento em baixa rotação e redução mecânica — trabalha acoplada a um sistema de tração 4x4 com seletor eletrônico e redução. Os modos esperados incluem Eco, Normal, Terra, Lama/Neve e Recuperação, atendendo tanto ao uso urbano quanto ao deslocamento em estradas rurais.
Chassi, Carga e Reboque
A suspensão dianteira adota McPherson com mola helicoidal, enquanto a traseira mantém feixe de molas semi-elípticas, conforme a versão homologada. A calibração prioriza deformação controlada sob peso. A capacidade útil situa-se entre 900 kg e 1.000 kg, variando conforme a configuração interna da caçamba e a versão escolhida. Para reboque, o limite oficial previsto é de até 3.500 kg, exigindo válvulas de regulagem de pressão e sistemas associados de frenagem. O INMETRO ainda aguarda a homologação final de cargas distribuídas versus concentradas.
Previsões Comerciais e Concorrentes
Com lançamento comercial projetado entre janeiro e setembro de 2026, os preços de entrada estimados devem ocupar a faixa premium-intermediária do setor. As projeções setoriais indicam flutuações modestas devido à inflação automotiva prevista e à estratégia de penetração, posicionando o modelo para competir diretamente com Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10, Mitsubishi L200 e Nissan Frontier. Ainda que a chegada de concorrentes híbridos represente mudança no padrão de eficiência urbana, a Dakota compensa com autonomia diesel real e familiaridade mecânica consolidada.
Rotina de Manutenção e Inspeção Preventiva
A arquitetura clássica exige atenção rigorosa nas etapas iniciais de vida útil. Recomendamos seguir rigorosamente os manuais do proprietário para lubrificar joints da transmissão e eixos cardã, ajustar a calibragem por eixo conforme a carga transportada e inspecionar fixações do chassi e buchas regularmente, especialmente em uso severo. Utilizar redes credenciadas que aproveitem a base instalada de motores 2.2 L MultiJet, já presente em veículos comerciais da Stellantis, reduz custos operacionais e alinha a experiência pós-venda às expectativas do segmento.
Por que apostar em longarinas nos dias de hoje?
Muitos fabricantes migram para monoblocos leves, porém o retorno da Dakota demonstra que a rigidez torsional superior das longarinas continua essencial para quem transporta pesos variados com frequência. A flexibilidade estrutural absorve melhor impactos pontuais na caçamba, reduzindo estresse na cabine e facilitando revisões corretivas sem desmontagens complexas. Enquanto o mercado converge para soluções modulares de passeio, o modelo abre espaço para compradores que valorizam durabilidade comprovada, custo total de operação previsível e suporte técnico alinhado a uma base instalada existente.



