A Stellantis iniciou um recall de veículos híbridos leves 48V devido a um defeito de projeto que pode provocar incêndio no cofre do motor. No Brasil, a campanha está em curso e atinge modelos como Jeep Compass 4xe, Fiat Pulse e Fastback híbridos, Peugeot 2008 GT Hybrid e Citroën C3 Aircross Hybrid. O reparo é gratuito e leva algumas horas.
Como verificar se seu carro está na lista de recall da Stellantis
O primeiro passo é consultar o chassi (VIN) do veículo nos canais oficiais. A Stellantis Brasil disponibiliza páginas de recall para cada marca:
- Fiat: www.fiat.com.br/recall
- Jeep: www.jeep.com.br/recall
- Peugeot: www.peugeot.com.br/recall
- Citroën: www.citroen.com.br/recall
Você também pode acessar o portal de recalls do governo federal (www.gov.br/recall), mantido pela Senacon, que reúne todas as campanhas ativas no país. Alguns milhares de veículos podem ser afetados no Brasil, mas o número oficial ainda não foi divulgado pela montadora.
Modelos confirmados no Brasil
- Jeep Compass 4xe (híbrido leve)
- Fiat Pulse híbrido leve
- Fiat Fastback híbrido leve
- Peugeot 2008 GT Hybrid
- Citroën C3 Aircross Hybrid
Atenção: A lista pode incluir outros modelos. A verificação pelo chassi é obrigatória — não confie apenas no modelo e ano.
O que a Stellantis vai reparar no recall
O reparo é gratuito e inclui cinco etapas obrigatórias, segundo o comunicado oficial da Stellantis Brasil:
- Inspeção visual dos chicotes e conectores do sistema elétrico 48V, em busca de danos térmicos.
- Substituição do conector de alta tensão por uma peça com maior resistência térmica (código 98 152 123 4).
- Aplicação de blindagem térmica adicional (manta refratária) no coletor de escape próximo aos componentes elétricos.
- Atualização de software do módulo de controle da bateria (BMS) para melhor monitoramento térmico e alertas mais precoces.
- Teste funcional do sistema para garantir que o reparo foi eficaz.
O tempo estimado é de algumas horas, dependendo da fila da concessionária. O agendamento é recomendado para evitar esperas.
Riscos e sintomas: como identificar o problema antes do incêndio
A falha foi classificada pela KBA (Autoridade Federal Alemã de Transportes) como um defeito sistêmico de projeto. O conector de alta tensão do sistema 48V fica muito próximo ao coletor de escape, e a blindagem térmica existente é insuficiente em condições extremas (trânsito intenso, altas temperaturas, uso em subidas).
Sintomas que o motorista pode perceber antes de um incêndio:
- Odor de queimado (plástico ou borracha) vindo do cofre do motor, especialmente após trânsito intenso.
- Luz de advertência no painel (sistema elétrico ou bateria 48V) acendendo intermitentemente.
- Redução de potência do motor elétrico (modo de segurança ativado).
- Fumaça saindo do capô — neste caso, pare em local seguro e desligue o veículo imediatamente.
Globalmente, foram registrados alguns incidentes, dos quais alguns evoluíram para incêndio. A maioria dos veículos, porém, não apresenta sintomas. O recall é preventivo.
O que fazer enquanto espera o reparo
A Stellantis Brasil recomenda as seguintes precauções para quem ainda não conseguiu agendar o recall:
- Evite estacionar em garagens fechadas, subterrâneas ou próximas a materiais inflamáveis.
- Não use o modo de condução "Sport" ou "Power" de forma prolongada, que solicita mais do sistema elétrico.
- Fique atento a odores, fumaça ou alertas no painel. Se ocorrer, estacione em local seguro, desligue o veículo e acione o serviço de atendimento 24 horas da marca.
- Não realize reparo por conta própria ou em oficinas não autorizadas — isso pode comprometer a segurança e a cobertura de garantia e seguro.
Direitos do consumidor e consequências de não fazer o recall
No Brasil, o recall é regulado pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) e pela Resolução CONTRAN nº 956/2022. A montadora é obrigada a reparar o defeito gratuitamente e a registrar o recall no sistema do DENATRAN, que vincula a informação ao prontuário eletrônico do veículo.
O que pode acontecer se você não fizer o recall:
- Garantia: A montadora pode negar cobertura para defeitos relacionados ao sistema elétrico se o recall não for feito.
- Seguro: Em caso de incêndio causado pela falha, a seguradora pode se recusar a indenizar, mesmo que você não tenha sido notificado (risco real, com base em jurisprudência recente).
- Licenciamento e transferência: O veículo pode ficar com restrição no sistema do DENATRAN, impedindo a transferência de propriedade e, em alguns casos, o licenciamento anual.
Importante: O recall é válido independentemente de quem é o proprietário atual. Se você comprou o carro usado, o direito ao reparo gratuito continua valendo.
Contexto global: recalls de eletrificados são comuns?
Recalls de veículos eletrificados não são raros. Grandes montadoras já enfrentaram problemas semelhantes:
- Hyundai/Kia (2025): um grande número de veículos por incêndio em bateria de alta tensão (células LG).
- General Motors (2024): um grande número de Bolt EV por conector de alta tensão.
- Tesla (2025): um grande número de veículos por software de gerenciamento térmico.
- BMW (2025): um grande número de veículos por bateria 48V em híbridos leves.
Segundo a NFPA (National Fire Protection Association) e a NHTSA, veículos eletrificados não pegam fogo com mais frequência que veículos a combustão — a proporção é de cerca de 0,01% ao ano. A diferença é que incêndios em baterias de lítio são mais difíceis de extinguir e podem reacender.
O recall da Stellantis, embora grande em volume, é uma medida preventiva para corrigir um defeito de projeto antes que cause mais incidentes.



