Camaçari em Movimento: Como a Produção Nacional da BYD Muda os Cálculos do Mercado Automotivo Brasileiro

Por Redação WebCarr, Revisado e aprovado por Anselmo, Publicado em , Atualizado em , Tempo de leitura: 4 min
Camaçari em Movimento: Como a Produção Nacional da BYD Muda os Cálculos do Mercado Automotivo Brasileiro

Camaçari em Movimento: Como a Produção Nacional da BYD Muda os Cálculos do Mercado Automotivo Brasileiro Uma Nova Era Industrial no Nordeste Em abril de 2025, a BYD deu o primeiro passo concreto rumo à industrialização plena no Brasil com o início da fase de montagem piloto em…

Uma Nova Era Industrial no Nordeste

Em abril de 2025, a BYD deu o primeiro passo concreto rumo à industrialização plena no Brasil com o início da fase de montagem piloto em sua nova fábrica em Camaçari, Bahia. Instalada no antigo complexo da Ford — fechado em 2021 —, a unidade se torna o primeiro polo produtivo da marca fora da Ásia no Hemisfério Ocidental. Com investimento inicial estimado em R$ 5 bilhões, o projeto não só revitaliza um polo industrial regional, mas acelera a eletrificação do transporte brasileiro. A produção em larga escala está oficialmente marcada para 1º de janeiro de 2026, com foco inicial no modelo BYD Song Plus DM-i.

Estrutura e Escala: Um Complexo de Alta Tecnologia

O centro industrial de Camaçari ocupa cerca de 120 hectares, com acesso estratégico à BR-324 e ao Porto de Salvador, otimizando a logística de distribuição. A planta conta com três unidades principais: fabricação de veículos eletrificados, produção de chassis para caminhões e ônibus elétricos, e uma unidade de processamento de materiais para baterias — com foco em lítio, cobalto e níquel. Inicialmente, a capacidade é de 150 mil unidades por ano, com previsão de expansão para 300 mil até 2029. As linhas de montagem são flexíveis, integrando híbridos plug-in (PHEV) e veículos elétricos (EV), e contam com automação avançada e tecnologias de Internet Industrial das Coisas (IIoT).

O Ponto de Partida: BYD Song Plus DM-i

A escolha do Song Plus DM-i como carro-chave da produção nacional não é por acaso. Líder nas vendas do segmento PHEV desde 2023, o modelo já registrou mais de 25 mil unidades emplacadas no primeiro semestre de 2025. Equipado com motor 1.5L de combustão e tecnologia DM-i (Dual Mode Intelligence), oferece excelente eficiência: consumo médio de apenas 2,3 L/100km com etanol e autonomia elétrica pura de 87 km (WLTP), ideal para o uso urbano brasileiro. Sua bateria é do tipo lítio ferro-fosfato (LFP), mais segura, durável e com menor custo de produção. O carro também conta com sistema de resfriamento líquido e opções de carregamento via tomada convencional (220V) ou estação DC até 110 kW.

Por Que Montar Aqui Faz Toda a Diferença?

Produzir no Brasil já não é só uma decisão estratégica, mas uma necessidade econômica. Com a previsão de elevação do Imposto de Importação para 35% a partir de meados de 2026, veículos importados sofrerão impacto direto nos preços. A produção local permite mitigar esse efeito com benefícios fiscais, como alíquotas menores de IPI. Outros fatores críticos incluem a eliminação do frete marítimo (que chega a 90 dias), estoques em trânsito reduzidos e maior controle sobre o abastecimento. Apesar de a previsão de preço do modelo nacional em 2026 ser de R$ 168.990 — próximo ao custo atual do importado —, o modelo nacional ganha em estabilidade de custos e prazo de entrega.

Nacionalização em Andamento: Entre Avanços e Desafios

No início da operação, cerca de 60% dos componentes do Song Plus DM-i serão nacionalizados. Estampados de aço, chassis, suspensão, interiores e pneus já entram no processo a partir da cadeia local. No entanto, peças críticas como baterias LFP, motor elétrico de 150 kW, eletrônica de potência e a PCM (unidade de controle central) seguem sendo importadas, mantendo dependência tecnológica da matriz chinesa. Ainda assim, há um plano ambicioso: até 2030, a BYD espera alcançar 25 GWh de produção de baterias LFP no Brasil, com apoio da Gerdau e do IPT, além de desenvolver a reciclagem de materiais estratégicos no local.

Impacto Social e Tecnológico na Bahia

A chegada da BYD gera um impacto profundo no Nordeste. Até 2026, serão criados 12.300 empregos diretos e entre 25.000 e 35.000 indiretos na Bahia. A parceria com o SENAI-BA garante formação técnica especializada em soldagem para baterias, eletrônica de potência e segurança em alta tensão, com taxa de empregabilidade de 92%. O polo já atraiu cerca de 20 novas empresas fornecedoras, consolidando-se como um centro emergente de tecnologia automotiva elétrica.

Com Camaçari como nova frente da indústria automotiva, o Brasil avança rumo a uma eletrificação mais autossuficiente, sustentável e conectada ao seu potencial industrial e mineral.

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Perguntas frequentes

O que motivou a BYD a escolher Camaçari para sua primeira fábrica no Brasil?

A empresa optou por Camaçari por causa do antigo complexo industrial da Ford, que já oferecia infraestrutura fabril consolidada e localização estratégica perto do Porto de Salvador e da BR-324. Isso reduziu custos de implantação e acelerou o cronograma, além de aproveitar um polo com mão de obra treinada e incentivos fiscais regionais.

Por que o BYD Song Plus DM-i foi o modelo escolhido para iniciar a produção nacional?

O modelo é líder no segmento híbrido plug-in brasileiro, com mais de 25 mil emplacamentos no primeiro semestre de 2025. Sua tecnologia DM-i combina baixo consumo de combustível e autonomia elétrica que atende bem o uso urbano, o que o torna competitivo e adaptado às condições locais, facilitando uma produção em escala desde o início.

Como a nacionalização dos componentes afetará o preço final do carro?

Com 60% das peças locais desde o início, o custo de produção tende a ficar mais estável em relação aos importados, que sofrerão com o imposto de 35% previsto para 2026. Embora o preço estimado de R$ 168.990 não seja muito menor que o atual, a eliminação de fretes marítimos e a redução de custos logísticos garantem maior previsibilidade e prazos mais curtos para o consumidor.

Quais componentes do carro ainda serão importados da China e por quê?

Peças críticas como baterias LFP, motor elétrico de 150 kW, eletrônica de potência e a unidade de controle central (PCM) continuam vindas da China. Isso ocorre porque a produção nacional desses itens ainda é inviável tecnologicamente e economicamente, exigindo domínio de processos avançados que a BYD planeja desenvolver no Brasil até 2030, com apoio de parceiros locais.